Tipos de captador

por Rafa

Meu texto anterior rendeu algumas perguntas sobre tipos de captador.

Dei uma olhada em algumas fontes bem bacanas sobre captadores de guitarra (aquiaqui e aqui, tudo em inglês) e cheguei à algumas conclusões interessantes.

– Ganho é algo relativo. Captadores single coil costumam gerar (mas nem sempre) algo em torno de 100 mV e humbuckers comuns algo em torno de 500 mV (mas nem sempre). Gosto de pensar que até uns 15o mV é baixo, e daí até uns 600 é medio. Daí pra cima é alto ganho – mas novamente, isso é um ponto em aberto.

Esses captadores de ganho baixo e médio são bastante versáteis e não distorcem tão facilmente. Por outro lado, geram sinais não tão intensos, que podem se perder em cadeias muito longas de pedais e racks de efeitos.

– Captadores ativos – isso é, com baterias embutidas – costumam gerar 1 V ou mais. São considerados captadores de altíssimo ganho e possuem voltagens impossíveis de serem geradas somente por captação passiva, sem bateria nem nada (que é o que 90% das guitarras tem).

A vantagem desses captadores é que eles naturalmente geram um sinal suficientemente forte em relação ao ruído natural da guitarra. A desvantagem é que eles tendem a distorcer mais facilmente. Ah, e as baterias, que tem que ser trocadas de tempos em tempos.

– Em termos práticos, não dá pra dizer qual deles é melhor. Cada um tem vantagens para uma aplicação e desvantagens para outra. O que dá pra fazer é escolher o tipo de captador que se gosta mais.

– Por outro lado, é muito útil saber qual o tipo de captador do seu instrumento, pois facilita na hora de calibrar (ou descalibrar) o set de equipamentos.

– A regra do tamanho do instrumento vale para captadores: quanto maior o tamanho e a voltagem, mais gordo e grave é o seu timbre. O mesmo se aplica ao número de bobinas: captadores simples tendem (mas nem sempre) a ser mais brilhantes e ter mais harmônicos agudos, enquanto que os de bobina dupla tendem (mas nem sempre) a ter um som mais encorpado, com ressonancia de médios e gravas.

Aliás, a quantidade de voltas do fio de cobre que envolve as bobinas também afeta o timbre do captador, e segue a mesma lógica: mais voltas e fios mais grossos tendem ao grave, e menos voltas com fios mais finos ao agudo.

– O timbre do captador também é dado pela sua construção e pela composição de suas partes: captadores de Alnico (liga de alumínio, níquel e cobalto) tem um determinado som, que é diferente de captadores de ceramica ou aço, por exemplo. Tudo isso interfere nas regiões de graves, médios e agudos e em quais delas o captador brilha mais ou menos.

– O ganho do captador interfere na resposta do instrumento ao toque. Captadores de baixo ganho são como microfones duros, enquanto que os de alto ganho (principalmente os ativos) são como microfones condensadores, super sensíveis ao toque.

Qual deles é melhor? Depende do tipo de som que você quer fazer.

Um ponto a ser considerado é que eles por si só não resolvem o timbre do instrumento. Tipo de madeira, construção (se o braço é colado ou encaixado), a forma como a parte elétrica é construída, o tipo de potenciômetro, o tipo de encordamento, se a guitarra é de seis ou sete cordas, se o captador está na ponte ou no braço, o tipo de afinação do instrumento, etc: tudo isso afeta o resultado final do som do instrumento.  Por exemplo, há quem prefira captadores brilhantes instalados numa guitarra de ash, que é naturalmente brilhante, com o objetivo de reforçar esses harmônicos. Ou então há quem resolva contrabalançar a madeira do instrumento, instalando um single coil em uma guitarra de mogno, por exemplo. Tudo é possível, e varia de acordo com o gosto do freguês.

Cada captador, independente do ganho, tem seu colorido próprio. Um modelo específico pode ter graves gordos e agudos estridentes e uma leve queda nos médios, enquanto outro que tem um colorido mais ou menos equilibrado em todo o espectro de freqüências.

Captadores de alto ganho nem sempre significam som distorcido: muitos jazzistas de som limpo curtem esse estilo de captação justamente porque eles de cara ela resolve o problema da relação de sinal/ruído da guitarra.

O mesmo se aplica a captadores de baixo ganho, que entram com um sinal limpo a ser distorcido por algum pedal ou pelas caixas. Jimi Hendrix, Slash, Yngwie Malmsteen, todos esses fazem sons pesados e incrivelmente distorcidos com captadores vintage de baixo ganho.

Qual deles é melhor? Impossível saber. Mas dá pra saber quais a gente gosta mais e menos. Ainda assim, o mais importante é conhecer o tipo de captação da guitarra e saber como tirar o máximo proveito dela.

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