Aula de hoje: “Pagode Jazz Sardinha’s Club”

por Rafa

Daí que o disco dessa semana é de música brasileira. Alternando com o da semana passada, que foi de hip hop (bem, não exatamente), nessa semana temos um discão de samba – mas, bem, não exatamente.

Assim: o disco é de uma gig de samba de responsa. Nunca tinha ouvido falar e nem sou especialista em samba (na real, ouço muito pouco, menos do que deveria), mas ouvi tudo e ta tudo lindo e arrumadinho, sem sobras nem nada faltando.

Pagode Jazz Sardinha's Club

Mas, na real, o disco flerta com um monte de outros rítmos – o que também é uma marca registrada do arranjo brasileiro. Um pouco de raggae aqui, uma batida techno ali, uma baladinha acolá, e por aí vai.

Só que os clichês de samba também estão todos lá, dos solos de trombone e sax aos “laiá laiá” que todo samba tem. Mas o negócio foi feito com um controle tão bem feito que o clichê vira um ornamento, ao invés de um problema (e clichê = problema em 99% dos casos). Tipo quando o arranjo vocal soa um pouco diferente do que você escutaria num disco de samba mais classicão. Ou a construção de uma das composições, que também não tem cara de sambão tradicional.

Pois é. É mais um desses discos que dá uma certa coceira de ouvir, justamente pela ambiguidade. Tem horas que parece jazz, tem horas que parece samba, tem horas que não parece nem uma coisa nem outra. E tirando meia dúzia de momentos muito WTF, o disco é cool do começo ao fim – coisa que não é exatamente comum nos discos de música brasileira.

Talvez tenha sido uma das melhores aulas de como administrar e tirar proveito de clichês – afinal de contas, por que gastar tempo e energia inventando moda se já tá tudo aí pra gente usar, não é mesmo?

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