Sobre pontos de vista e nomes aos bois.

por Rafa

Num dos ensaios, o nosso maestro explicou que os tempos da salsa são todos bem defasados, quase fora do tempo. Menos nas convenções: nessa hora, é tudo na cabeça do tempo.

Ok, foi uma pith instruction dessas bem práticas pra resolver logo a vida do cristão. Mas eu fiquei depois me perguntando sobre aquilo.

Defasado em relação a que exatamente? Porque, do ponto de vista de uma salsa bem tocada, tava tudo no lugar. O jeito certo de fazer é esse.

O fato é que um dos problemas para se ensinar, aprender e explicar música está na forma como enxergamos a coisa toda.

Todo mundo que já passou por um conservatório qualquer que seja aprendeu que o tempo forte é sempre o primeiro tempo do compasso. Ali, na cabeça, pá, de forma resoluta e inabalável, sem qualquer dúvida.

Só que na vida real, na rua, nas gigs, a coisa não é assim – e se bobear, nem na sala de concerto é. O tempo, o timing da música raramente é essa convenção metronômica de tempos fortes nos começos de compasso. Aliás, a tendência é das coisas serem normalmente fluidas ao invés de rígidas.

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