5 posições x 7 posições: qual o melhor método?

por Rafa

Todo guitarreiro que se preze já estudo os métodos de cinco ou sete posições em algum momento de suas vidas. Todo mundo já teve pelo menos um método ou apostila com esses padrões, e passou horas e horas praticando escalas e exercícios de memorização. Agora, se isso foi útil, produtivo ou bom em algum nível, são outros quinhentos.

Basicamente, são padrões (ou patterns, como os americanos chamam) de escalas que cobrem todo o braço do instrumento.

Existe um debate acalorado sobre a eficiência dos métodos de visualização e realização das escalas sobre o braço. Normalmente, quem está acostumado com um normalmente nem chega perto do outro.

Mas o fato é que ambos são eficientes, cada um à sua maneira.

5 Posições

Esse padrão de escalas deriva do método CAGED. Das cinco formas básicas de acordes, é possível construir suas respectivas escalas maiores e pentatonicas (aqui tem um bom diagrama dos padrões). É só acrescentar as notinhas certas. Como essas formas todas se encaixam entre si, é possível cobrir todo o braço do instrumento

O grande barato desse esquema de cinco posições é que ele sobrepõe acordes, escalas maiores e pentatônicas. Estudando direitinho, dá pra aprender os três de uma vez, de forma bastante eficiente. E depois fica mais fácil passar para as escalas menores (pois são relativas) e escalas construídas sobre acordes diversos: basta adicionar, deslocar ou retirar semitons das pentatônicas ou escalas maiores.

Além disso, esse esquema é comodo para modulação em quartas e quintas (na real, as quartas são um pouco mais comodas que as quintas). Dá para passar pelas doze tonalidades numa única região, só trocando as formas.

Eu diria que é um esquema enxuto, que nos permite adicionar coisas à medida em que vamos precisando delas.

7 Posições

Esse padrão também deriva do CAGED, mas tem uma outra pegada. Aqui, o braço da guitarra é dividido em sete formas de escalas e acordes, uma para cada grau da escala maior – aqui tem um link com os diagramas desse mapeamento.

Cada forma de escala começa em um grau, e herda o nome do modo grego correspondente. Apesar disso não implicar em modalismo, essa maneira de visualizar e pensar o braço já facilita a vida do guitarrista se ele resolver pensar diretamente na aplicação de escalas modais – Mixolídio sobre acorde dominante com sétima, Dórico sobre menor com sétima, etc.

Além disso, alguns shapes são mais cômodos que os do CAGED original, envolvendo um pouco menos de “finger stretching” (esticamento de dedos) para fora daquele espaço mais cômodo de quatro casas do braço do instrumento – os shapes dos modos frígio e lócrio são incrivelmente práticos.

Para se chegar nas escalas modais, é ainda mais fácil, pois é só deslocar um grau ou outro. Por outro lado, para se chegar numa pentatônica, é preciso retirar notas das escalas – ou aprender o CAGED, o que daria mais trabalho

Qual mapa é melhor?

O melhor esquema é aquele que te permitir fazer o que você quiser de forma mais eficiente.

Comecei minha vida guitarrística estudando pelo CAGED, e depois passei pro método de sete posições quando comecei a estudar jazz e improviso. Hoje eu voltei ao CAGED, e estou fazendo uma revisão mais rígida desse método. Ainda assim, eu automaticamente aplico coisas do método de sete posições que facilitem a minha vida.

A recomendação que eu dou é estudar e entender os dois métodos, e tirar de cada um deles o melhor que eles puderem oferecer.

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