Quando que o trabalho de formiga compensa?

por Rafa

Transcrever harmonia e solos de uma música é um trabalho de corno que toma um tempo desgraçado.

Para cada compassinho, são horas e mais horas ouvindo a mesma canção repetidas vezes, tirando os fragmentos no instrumento e revisando tudo. Ainda assim, sempre pode passar um errinho ou uma informação pouco acurada.

Mas a vantagem – e o inconveniente – desse trabalho todo é que você é jogado no mundo real das músicas que a galera toca de verdade por aí.

Digo inconveniente porque, nessa hora, o estudante tem a oportunidade de confrontar aqueles conceitos que aprendeu arrumadinhos nas aulas com o que rola no mundo real. E é aí que o bicho pega.

Como você vai explicar aquela progressão maluca de acordes que soa direitinho mas que você nunca viu na vida? É empréstimo modal? É algum tipo de cadência rara? É o que? Mas antes da tônica não é pra vir a dominante? Aquilo é o que então?

É bem frustrante quando isso acontece. Fica parecendo que todas as aulas e toda a sua formação não passam de uma fraude. Mas é justamente nessa hora que a mágica acontece e a gente aprende a malandragem.

Fora que ao longo do processo você também malha escrita, leitura, um pouco de editoração (já que é preciso produzir um documento razoavelmente legível e inteligível), dentre outras coisinhas.

Esse tipo de trabalho oferece justamente o que os métodos, com seus exercícios prontos e licks, jamais poderiam oferecer.

Se você tiver amigos com quem possa dividir ou discutir o trabalho, terá uma oportunidade ótima de encontrar soluções que, sozinho, talvez não tivesse alcançado.
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