O que fazer quando a gente se perde no meio do improviso?

por Rafa

Eu tenho um problema na hora de improvisar: normalmente, não gosto de quase nada que eu toco.

Há quem já tenha me elogiado depois de um solo e tal, mas eu sempre fico me achando um impostor. É muito raro eu fechar um solo achando que eu fiz um trabalho espetacular. Na melhor das hipóteses, fecho o solo achando que eu fiz o mínimo que funciona. Na pior delas, acho que o solo foi um desastre completo.

Resolvi então aplicar a técnica da dissecação ao estudo do improviso. Essa técnica consiste em destrinchar a prática ponto a ponto, para ver o que pode estar errado.

Manja quando você vai trocando e testando as peças do computador até ver qual deu defeito? É mais ou menos isso.

Cheguei à conclusão que o meu problema, com excessão das músicas que eu conheço muito bem, é que eu me perco muito facilmente durante as progressões harmônicas no meio do chorus de improviso. Principalmente se há modulações muito rápidas, tipo aquelas de uma tonalidade nova a cada compasso. Eu fico sem saber o que fazer e, bem… preciso improvisar, com o perdão do trocadilho. =P

Uma vez isolado o problema, o passo seguinte é elaborar e testar estratégias para resolve-lo.

E daí eu caí num outro problema: normalmente, os livros que ensinam improvisação não tratam desse pequeno grande ponto. Os manuais ensinam as escalas, os acordes, a correspondência entre eles e o que usar em cada hora. Mas raramente há instruções do que fazer no calor do momento. Você tem o plano de vôo, mas não a manha de como proceder em caso de turbulência.

Na melhor das hipóteses, os livros apenas repetem o mantra favorito dos professores: estude mais.

Não que seja um conselho ruim, mas ele tem dois problemas. O primeiro é que não aponta pra uma resolução deste problema específico na hora em que ele aparece. O segundo é que mandar o aluno estudar sem aponta-lo para a direção correta vai fatalmente manda-lo pra direção errada, fazendo com que ele perca tempo em algo que não vai ajudar de muita coisa.

A resposta veio após algumas horas de busca no google e visita a alguns sites.

O JazClass é um site com uma cara meio Geocities/anos 90, mas que tem boas instruções para praticar o básico da improvisação. É todo em inglês e musiquês. Foi lá que eu achei a estratégia mais simples e direta pra resolver o problema:

  • estudar o chorus de improviso tocando somente as fundamentais dos acordes durante a progressão, até dominar as mudanças da progressão;
  • estudar novamente o chorus improvisando sobre as notas harmônicas dos acordes ao longo da progressão, sem se perder;
  • estudar novamente o chorus, de forma livre

Outro blog, o JazzAdvice, é mais completão e com uma cara mais atual. Ele trata de uma infinidade de pontos sobre o estudo do jazz e do improviso. Lá eu encontrei estratégias de longo prazo para resolver o problema (ouvir mais gravações da música, fazer transcrições, etc.) e um monte de conselhos para resolver rapidamente questões pontuais do estudo e postura durante o improviso.

Já estou aplicando o que eu li por lá. Vamos ver como meu improviso muda nas próximas semanas. 😉

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