Sobre licks, frases e métodos

Vamos supor que você precise escrever um texto.

Digamos que você tem uma prática razoável de escrita. Você talvez não seja um nobel de literatura com milhões de obras publicadas, mas sabe se expressar.

Aí você vai e escreve o texto.

Imagine que ele não ficou do jeito que você queria. Por algum motivo não muito claro, ele não está bom.

Imagine que, ao invés de você reler o texto e analisar o que poderia melhorar, decide de antemão que o barato é colocar chavões e frases de efeito tiradas de outros textos.

Parece um método bisonho, não?

Pois bem: é exatamente isso que muita gente faz na hora de improvisar, seguindo aqueles métodos baseados em licks e frases.

Eu não sei se o problema está na cabeça do improvisador, por acreditar que é possível transformar um solo ruim em algo memorável só usando frases clichês, ou dos métodos que encorajam este tipo de mentalidade. No fundo, rola uma lógica do Tostines, com um erro alimentando o outro num ciclo infinito.

Há muita coisa que funciona para improvisar. Praticar escalas, harpejos e alguns motivos comuns ajudam. Entender progressões harmônicas e como elas mudam (os famosos “changes”) também. Tentativa e erro, quando assumida como tal, é um caminho válido. Destrinchar os temas, idem. Transcrever solos ajuda também, embora eu acho que melhore mais a leitura e a percepção do que o improviso.

Mas acho bem pouco provável que o emprego de idéias alheias fora de contexto ajude de alguma forma.

Ok, eventualmente, todo mundo estuda um lick ou outro. Assim como nas aulas de inglês, saber algumas expressões e gírias ajudam.

Mas não dá pra basear toda a aula de idiomas nisso.