Revistas de guitarra

por Rafa

Eu tenho mixed feelings com revistas de guitarra. GuitarPlayer, GuitarPro, GuitarWhatever.

Já li muitas revistas assim quando tava começando. Naquela época, com internet era discada, nem existiam os blogs ainda. Canais do Youtube e publicações em tablet eram um sonho remoto demais.

O estudo ainda era old school.

Pra mim, que começou a estudar numa era pré internet, essas revistas foram uma parte importante da minha formação. Com elas eu conheci o Joe Satriani, o Vai, o Eric Johnson, o Petrucci e mais um bilhão de guitarristas. Cada um que eu lia falava de outros, e de pouquinho em pouquinho eu ia costurando minha colcha de influências, trocando gravações feitas em CD-R com os meus amigos guitarristas – sim, porque também não existia torrent.

Foi nas páginas da Guitar Player que eu descobri que o Fusion existia. Foi lá também que eu li, pela primeira vez, sobre um habilidoso músico que tinha vencido um prêmio ofereido pela Credicard e iniciado uma carreira brilhante – um tal de Yamandú. Também conheci o Jack White e uma galera que estava fazendo o rock indie que iria lançar as bases da música hipster de hoje.

Sério: eu conheci uma galera graças a essas revistas. Lia tudo e baixava tudo no Napster depois.

Meu primeiro contato com os equipamentos também foi intermediado pelas revistas, vendo os reviews das pedaleiras e instrumentos. Também foi nessas revistas que eu tive o meu primeiro contato com partituras e tablaturas pra guitarra.

Parei de comprar as revistas depois que entrei pra faculdade, e lá eu comecei a estudar música de forma mais acadêmica.

Hoje, com outra cabeça e vivendo num outro mundo, intermediado pelas novas tecnologias da informação, olho para aquelas publicações com outros olhos.

A linha editorial da revista tinha uma preferência muito clara em privilegiar um tipo de guitarrista bem específico. Tenho lá minhas dúvidas se esse modelo de músico é bom, mas o fato é que a cabeça de uma geração inteirinha foi influenciada por essa linha editorial. Só fui abrir a minha cabeça bem depois.

A linha editorial detonava o todo em prol de uma única parte da música – a guitarra – e criou uma geração de guitarristas que não faz outra coisa a não ser tocar em cima de playbacks dentro do quarto. Gente com uma concepção de arte e música bem equivocada na minha opinião.

De vez em quando eu pego uma publicação atual pra ler, e me espanta que a linha editorial não mudou quase nada em quase dez ou quinze anos.

Então, galerinha da TL que curte guitarrismos: leiam essas revistas e apreciem com moderação. E cuidado com a linha editorial.

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