Lição do William Leavitt sobre o uso do baixo na guitarra

por Rafa

“I define the real bass (sounding) range as any note lower in pitch from C, 5th string (3rd fret) or C, 6th string (8th fret).”

“All (fundamental or 2nd inversion) forms[…] that employ the 6th string (and therefore sound in part in the real bass register) have the root (first) or the fifth chordal degrees sounding in the bottom. These are the ‘strongest’ chord tones and always sound right.”

“Any chord voiced with the 3rd degree in the bass has a weak chordal sound, and should be used only when leaping to a knew inversion of the same chord, or as a passing chord to produce scalewise or chromatic bass motion”

“Chord voicings with the 7th degree in the bass have very weak chordal sounds. These forms (like this with the 3rd in the bass) may be used for inversion leaps or as passing chords, but their use must be well justified – such as in a strong descending bass line – or they will sound ‘wrong'”.

“All forms[…] that employ the 6th string (and therefore sound in part in the real bass register) have the root (first) or the fifth chordal degrees sounding in the bottom. These are the ‘strongest’ chord tones and always sound right.”

– William Leavitt, A Modern Method for Guitar

– x –

O professor William Leavitt chama à atenção para o “detalhe” do registro grave do instrumento. Na hora de tocar acordes, a gente precisa ter um certo cuidado se tocarmos o baixo (pros leigos e iniciantes: a nota mais grave do acorde) dentro desta região.

Pra ele o registro grave fica abaixo do Dó na terceira traste, quinta corda, ou na oitava traste, sexta corda (pros leigos e iniciantes: é a mesma nota). Embora a extensão real do registro possa não ser tão rígida assim, o ponto é que, 90% das vezes que tocamos algo com a 5a corda solta ou quase qualquer nota na sexta corda, estaremos no registro grave.

E ele precisa de cuidados especiais.

Basicamente, acordes na primeira e terceira inversões (com a terça do acorde ou a sétima do acorde no baixo, respectivamente) com o baixo no registro grave tendem a solar embolados e/ou fora da função.

Existem basicamente três situações que atenuam isso:

– Uma linha melódica (diatônica ou cromática) bastante nítida no baixo, que faça com que essas notas harmonicamente instáveis façam parte de uma passagem mais fluida;
– Uma outra inversão do mesmo acorde atacada num tempo forte, fazendo com que o baixo salte para outra nota da harmonia.
– Enarmonia, para acordes diminutos, aumentados e meio diminutos que viram acordes menores com sexta (e vice versa – rola muito na função dominante)

Obviamente, estes movimentos do baixo pedem, pelo amor de Deus, uma resolução.

Segundo o Leavitt, acordes com a fundamental ou a quinta na região grave sempre funcionam. Ainda assim, eu teria um pouco de cuidado ao colocar  quinta no baixo: não é exatamente o grau do acorde mais forte. No caso de tríadas, a presença da quinta no baixo é um relativamente mais comum. Mas quando começamos a tocar trétrades com tensões, a quinta é a primeira nota a sair para dar lugar à outras notas.

Se o baixo do acorde for tocado numa região mais alta, teoricamente, é possível usar qualquer inversão. Eu tomaria cuidado, de qualquer forma.

Numa banda, o guitarrista tem a vantagem de poder delegar os baixos para um outro instrumento mais grave (quase sempre o baixo, piano ou a tuba) sem tocar as notas neste registro. Entretanto, isso não é uma opção quando se toca sozinho ou quando o instrumento que faz o acompanhamento (e por tabela, os baixos) é o violão ou a guitarra.

Anúncios