O Nirvana

por Rafa

Quando eu era garoto, eu adorava o Nirvana.

Pra galera mais nova: era uma banda que 9 entre 10 adolescentes na década de 90 adorava, cujo som era uma das coisas que mais me empolgou a começar a tocar guitarra. Não só eu ouvia isso o dia inteiro junto com os meus amigos de escola, mas também era algo possível de se aprender a tocar quando se está começando no instrumento.

Com o tempo, e ouvindo mais coisas, comecei a desgostar do som da banda, ou simplesmente encher um pouco o saco daquilo. Natural de quem está aprendendo: eu queria buscar desafios e sonoridades novas, e a impressão que eu tinha era que eu aprendi tudo que eu podia com aquela banda.

A partir do Nirvana, eu comecei a voltar no tempo, ouvindo o metal dos anos 80, o hard rock e o progressivo dos 70, e por aí vai. Foi assim que eu descobri os Beatles, voltando no tempo.

Meu desgosto começou a ficar maior naquela época que todo guitarrista começa a ouvir o som dos guitarristas hipervirtuosos (Vai, Satriani, Malmsteen, etc.) e meio que começa a confundir música boa com música difícil de tocar. Eventualmente, todos esses seguiram o mesmo ciclo, e eu passei pra outras coisas.

Agora, por conta do curso de songwriting, resolvi dar uma olhada com calma nas letras da banda, que eu lembrava só os refrões bem mais ou menos.

E, quem diria, percebi que é uma banda que produziu músicas com letras fortes e bastante tensão poética, coisa que não é fácil de fazer. Tem também outros detalhes com relação à composição, acordes e fraseado que eu não percebia quando eu estava começando (óbvio).

Por mais que muita gente deteste a banda, o Nirvana foi um divisor de águas em termos de sonoridade. Eles tem várias canções que são o grito de uma geração, e o som que eles buscavam meio que abriu caminho pra todo o indie rock que veio depois. Fico feliz de poder encontrar coisas novas e interessantes em velhas músicas.

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