Prosódia

por Rafa

Normalmente, qualquer professor de português e literatura vai te dizer que prosódia é a adequação da silabação e das palavras numa frase. Basicamente, consiste em fazer com que o ritmo melódico ou poético bata com a silabação. Se os tempos fortes coincidem com os acentos, a prosódia está certa. Se não estiver, ela está errada.

Normalmente, tudo que se fala sobre prosódia começa e termina aí.

O Pat Pattinson, nos seus livros e cursos de songwriting, vai além. Ele vai até a poética grega para buscar um significado maior para a prosódia: ela é aquilo que “dá a liga” os elementos de uma obra, criando uma unidade de um todo. E este todo sempre será maior que a soma de todas as suas partes, possuidor de um ganho de dimensão e significado que não existe fora da relação entre as partes.

(Talvez este seja o maior problema de análise que exista, em qualquer forma de arte: dissecar as partes sem perder a vista do todo)

A arrumação dos elementos, segundo o Pattinson, obedece a dois princípios básicos: a estabilidade e a instabilidade. Arsis e Thesis. Ying e Yang. Ou, de forma mais grosseira, tensão e relaxamento. Tudo operando em ciclos.

Em algum nível, toda e qualquer obra vai ter seus elementos arrumados de forma que criem uma sensação estética de tensão, estabilidade, ou de ambos. Na música, uma das milhares de formas de fazer isso é por meio de criação e resolução de dissonâncias. Na ficção, cria-se uma tensão narrativa, que nada mais é do que aquilo que faz com que a história siga em frente.

O Pattinson diz que não há regras em arte, somente ferramentas. A única excessão é a prosódia. Em última instancia, é o que une os elementos da composição artística. É o que faz com que a arte seja arte.

Esse assunto apenas merecia um curso inteiro. Uma pena, de verdade.

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