Duas maneiras de orquestrar uma peça

Basicamente, existem duas formas de orquestrar uma música.

Por orquestrar, entenda-se fazer um arranjo para uma formação de orquestra sinfônica. Mas estes princípios se aplicam a arranjos para formações menores, como grupos de câmara e bandas.

A primeira forma eu chamo de “Escola Korsakov”, porque é como ele ensina em seu manual de orquestração

Ele foi um dos poucos compositores e orquestradores que nos legou um método escrito de ensino de orquestração. Para quem não conhece:

http://en.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Rimsky-Korsakov

Segundo o Korsakov, todo arranjo orquestral deve ser feito com uma formação específica em mente. De maneira geral, o funcionamento de qualquer peça de música erudita é assim.

Primeiro o arranjador pensa em quantos músicos são necessários (ou quantos ele dispõe, ou quantos ele quer usar) e só depois começa a escrever a peça, trabalhando suas idéias em função deste número específico.

O compositor pode escrever para qualquer formação maluca, mas uma vez definida a formação, é com ela que ele trabalha. Para ele é impensável escrever uma música para um grupo variável. Obviamente, a escolha de formação interfere no equilíbrio dos sons. Escrever para duas trompas e um trompete só é diferente de escrever para quatro trompas e dois trompetes, que por sua vez é diferente de escrever para quatro trompas e três trompetes. Cada instrumentista a mais ou a menos muda tudo.

A maior vantagem deste método é o o controle que o compositor vai ter das próprias idéias em função do efetivo que ele dispõe, e tirar o melhor som possível daquele conjunto específico.

O outro método de trabalho eu chamo de “Escola Tom Jobim”, porque era mais ou menos assim que ele trabalhava. É a forma que eu vejo escrita na maior parte dos arranjos de música popular brasileira. Inclusive para orquestras sinfônicas, já que é muito mais comum ver esse tipo de arranjo feito para formações menores.

Desta maneira, o compositor/orquestrador trabalha com uma quantidade determinada de vozes, que ele distribui em função do efetivo de músicos disponivel. É comum haver dobramentos e instrumentos optativos, o que permite que uma mesma música seja tocada por formações bastante diferentes, com resultados idem.

Em geral se pensa numa orquestração grande, com partes essenciais e outras dispensáveis em função da ocasião, ou então um arranjo escrito para um grupo mínimo, com partes extras que o tornam maior.

Um arranjo destes serve do quarteto à orquestra sinfônica, sem grandes perdas, além de ser bem mais viável do ponto de vista econômico.

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