10 bpm

por Rafa

Hoje eu me propus a fazer um dos experimentos que o Dr. Noa falou em seu blog: tocar no andamento mais lento possível.

Peguei o metrônomo, botei em 10 bpm. O mínimo que o meu app faz. Dez batidas por minuto, uma a cada seis segundos.

Parecem pouco tempo?

Pra mim foi uma eternidade. Pense que cada compasso de um exercício simples em 4/4 dura algo em torno de meio minuto. Com meio minuto de concentração total por compasso, temos num exercício simples de oito compassos durando quase quatro minutos. Se o exercicio for feito integralmente algumas poucas vezes, temos dez, quinze minutos de demanda por foco ininterrupto.

Aliás, deu pra manter o foco relativamente bem. Filme em camera lenta ao vivo e em tempo real, mostrando tudo que eu fazia. Todas as tensões nas mãos, o posicionamento e a altura dos dedos, a precisão da palhetada, se o ataque sai forte ou fraco demais, etc. Tudo que precisa ser limpo fica muito evidente. Talvez por isso não dispersei tanto.

Mas quem disse que eu acertava as notas na cabeça dos tempos? Não acertei nenhuma. Sempre atacava antes ou depois – ou ficava ansioso demais, ou relaxado demais. Fora o cansaço de sustentar o tonus e manter o corpo relaxado nesse andamento. Foi uma experiencia de tempo completamente diferente.

Aumentei o andamento pra 20 ou 30 bpm, e os problemas persistiam. Só voltou a ficar fácil quando botei no bom e velho 60 bpm.

So comecei a acertar um pouco mais depois que comecei a subdividir mentalmente os tempos grandes em menores, e ainda assim errava.

Não tem jeito. Vai demorar até ter noção de como as coisas funcionam em outro tempo.

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