Não há regras e nem limites

por Rafa

Eu digo que a guitarra é o instrumento mais fácil de começar a tocar. Entretanto, me perdoem os demais músicos, é o mais difícil de dominar.

É facil porque basta aprender três ou quatro acordes simples que isso já resolve 40% de todo repertório não-erudito que existe. Já dá pra sair da primeira aula sabendo uma canção para impressionar meninas. Ou meninos.

E é difícil porque não há regras e nem limites para a guitarra. As possibilidades são infinitas.

O instrumento foi inventado entre os anos de 1920 e 1930. A guitarra não tem nem 100 anos de história, mas já tem um repertório maior do que o que foi feito em séculos passados inteiros.

Na música popular a guitarra foi onipresente. Todos os grandes hits que marcaram época tinham uma guitarra no meio. Estilos que às vezes não tinham nada a ver um com o outro. A não ser o power trio guitarra-baixo-bateria.

E as guitarras evoluíram das formas mais diversas, junto com as músicas. Existe guitarra de tudo que é cor, tamanho e construção: corpo sólido, semi sólido, oco, com floyd rose, ponte fixa, seis, sete cordas, etc. Tem guitarra que é feita pra tocar sentado, dedilhada como se fosse uma cítara. Outras já se parecem com bandolins. Outras, harpas. Com afinações e timbres completamente diferentes. Chega a ser bizarro chamar todos esses instrumentos diferentes por um mesmo nome.

Nós guitarristas sofremos um pouco com essa crise de identidade do instrumento. Diferente dos nossos colegas dos naipes de cordas, por exemplo, que quando começam a estudar já tem um caminho muito claro a ser percorrido em sua formação: quartetos de mozart, sinfonias de beethoven, caprichos de paganini, concertos do Vivaldi, etc.

Nós não temos esse currículo unificado. Nem dentro dos próprios estilos temos isso: o bebop que o joão curte é diferente fusion que o pedro adora. E é tudo jazz.

Ainda que a gente tenha bons professores e referências, estamos cada um numa jornada diferente num mundo gigantesco a ser explorado.

Anúncios