Guitarrismos

Mês: maio, 2013

O que faz uma música ser boa?

A vida inteira eu tive a curiosidade de entender o que diabos fazia com que as boas músicas fossem boas.

Um dos meus maiores estímulos para aprender música foi justamente entender como e por que isso acontece. Eu imaginava que, quando finalmente entendesse o que está por tras de um hit ou um clássico, eu pudesse aplicar isso nas músicas que eu viesse a tocar ou a escrever.

Só que, quanto mais eu estudava, menos as coisas faziam sentido.

Me diziam que o segredo estavam por exemplo, na harmonia. Aí eu fui analisar grandes músicas de todos os tipos e tamanhos e cores e sabores. Percebi que elas tinham harmonias completamente diferentes e sem qualquer padrão ou semelhança. Isso é, quando havia harmonia, porque nem sempre era o caso.

Isso não quer dizer que harmonia não importa. Muito pelo contrário. Mas o fato é que virtualmente qualquer sequencia de acordes funciona. A diversidade de músicas boas que temos aí não me deixa mentir.

Disseram a mesma coisa para as melodias, o ritmo, o talento dos músicos, o equipamento dos músicos, o tipo de voz, a época, etc, etc, etc. E a cada experimento, o resultado sempre esfregava na minha cara que não havia padrão algum em nada. Que eu estava vendo (e ouvindo) coisas.

Talvez o problema fosse esse mesmo. Se não fossem meus objetos de estudo, talvez fossem as lentes (e microfones) que eu usava para perceber o fenomeno.

Ainda não tenho respostas. Mas tenho algumas boas suspeitas.

Saindo da fôrma

Ontem fechei a primeira sessão do primeiro volume método que eu to estudando. Na última lição, um pequeno pulo do gato:

Sabe-se que a guitarra é um instrumento em que são usadas varias fôrmas de digitação para montar as escalas e os acordes. Quanto mais fôrmas o sujeito domina, melhor (ao menos em parte) é o seu desempenho guitarrístico

Cada forma de escala é composta de notas ao longo de uma sequencia de quatro casas do braço do instrumento, uma para cada dedo da mão esquerda. Da pra colocar.

Eventualmente, será necessário tocar notas fora deste espaço de quatro casas, para tocar notas diatonicas ou cromáticas.

Quando isso acontece, a regra que o método estabelece é que o guitarrista alcance as notas de fora da fôrma com os dedos 1 e 4 (indicador e mindinho) e deslize estes dedos de volta para o espaço da forma, ao invés de mexer o resto da mão.

A mão nunca sai do lugar.

Escalas e tetracordes

Um tetracorde é uma sequencia de quatro graus conjuntos de uma escala. Falando de forma leiga, é uma sequencia de quatro notas musicais em sequencia sem nenhuma outra nota entre elas.

Para as escalas maiores e menores que temos por aí, cada escala de oito notas (sete mais a primeira nota oitavada) são formadas a partir de 2 tetracordes.*

Para uma escala maior, por exemplo, temos dois tetracordes consecutivos iguais, cuja distancia entre os graus é de dois tons e um semitom – o clássico tom-tom-semitom. Coloque dois destes em sequencia e temos uma escala maior na tonalidade da primeira (e da última) nota da sequencia.

Se mudarmos o arranjo do ultimo tetracorde para, digamos, tom-semitom-tom, teremos uma escala diferente. Basicamente, para as escalas de oito notas, dá pra visualizar tudo como arranjos diferentes de tetracordes diferentes.

Olhar a escala como uma sequencia de tetracordes ajuda na hora de memorizar escalas no braço da guitarra, pois sempre se pode visualizar as escalas como sequencias de tons e semitons sobre o braço do instrumento.

Quase todo método de guitarra trabalha com fôrmas de escalas fechadas que obedecem algum tipo de lógica, gerando fôrmas diversas. Algumas parte de formas de acordes, outras de cordas soltas, outras de notas cromáticas, etc.

Dá para pensar os desenhos de escalas com base nos tetracordes, onde cada fôrma tem quatro notas para cada corda do instrumento. Tocando quatro notas por corda, temos um maior aproveitamento do braço do instrumento e uma movimentação mais fluida, à custa de uma maior movimentação da mão sobre o braço da guitarra.

*escalas maiores e menores são compostas de oito notas, mas nada impede que se toque fora desse padrão, com mais ou menos notas, ou até com notas que não existem nas escalas ocidentais.