Da função social da música: brilho nos olhos

por Rafa

Benjamin Zander é um maestro apaixonado por música clássica (ou erudita, se assim você preferir). Ele entende do assunto como poucos e é dono de um carisma incrível.

Foi o maestro titular e diretor da orquestra jovem da Filarmônica de Boston e do conservatório de New England. Ele também arranja, compõe, toca cello e piano. Mas o forte do seu trabalho é a educação musical infantil e juvenil.

Em 2010 ele deu uma palestra no TED. Aparentemente, era sobre música erudita, mas o argumento dele se aplica a quase qualquer música que não esteja muito em voga.

Na real, era sobre um monte de outras coisas muito mais importantes. É uma fala incrível em tantos níveis que eu nem sem por onde começar.

If the eyes are shinning, you know you are doin it. If the eyes are not shinning, you’ve got to ask a question. And this is the question: who am I being?

You know, I have a definition of sucess. For me its very simple. It’s not about wealth, fame and power, but how many shinning eyes I have around me.

“Se os olhos brilharem, você está fazendo a coisa certa. Se os olhos não estão brilhando, você precisa se fazer uma pergunta. E essa pergunta é: quem eu estou sendo?

Sabe, eu tenho uma definição de sucesso. Para mim, é muito simples. Não se trata de riqueza, fama e poder, mas quantos olhos brilhantes eu tenho ao meu redor”.

É isso.

Cada vez menos eu vejo a música como um fim em si mesmo (alias, de forma geral, eu vejo cada vez menos as coisas com finalidades nelas próprias, mas isso é um outro assunto).

Pra mim, cada vez mais, música é sempre algo mais. Sempre há uma relação com algo não musical, que é o que lhe dá sentido.

A gente ouve essa ou aquela canção para entrar ou sair de um determinado estado de espírito. Ficamos felizez por algum motivo qualquer e na mesma hora botamos uma música que gostamos para servir de trilha sonora. Fazemos a mesma coisa quando estamos infelizes, por conta de problemas em nossos relacionamentos ou porque tivemos um dia ruim. E trocamos rapidinho de faixa se ela não for apropriada ao espírito do momento.

Quando a energia precisa subir, como quando fazemos exercícios, colocamos uma música que nos deixe mais dispostos. Se queremos relaxar e parar um pouco, ficamos em silêncio ou colocamos uma música que nos desacelere.

Fazemos isso o tempo todo em nossas vidas, mudando a música de acordo com o momento.

Um bom exemplo é uma festa de casamento. Um evento que começa com peças clássicas tocadas num quarteto de cordas durante um cerimonial religioso vai terminar ao som de pessoas felizes, bebendo e dançando ao som de temas dançantes.

Nesses momentos, o que está em jogo é sempre outra coisa.

Obviamente, nem sempre fazemos um bom jogo. Com a intenção de manipular e controlar o mundo à nossa volta, acabamos usando a música mais como arma do que como ferramenta, sem pensar muito no resultado do uso dessa força tão poderosa. Muitas vezes somos irresponsáveis, produzindo benefício à custa de prejuízo para outras pessoas.

Quando o maestro fala de brilho nos olhos, ele nos lembra do que realmente importa, e que a música tá aí para nos ajudar a viver uma vida mais memorável.

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