Metrônomo for dummies

por Rafa

Aqui vão algumas dicas de como eu uso o metrônomo. Não é a verdade absoluta e nem estou cagando regra sobre como vocês devem utilizar essa ferramenta. É só um relato do que tem funcionado comigo e que eu imagino que possa ser útil pra vocês.

Tenho usado o Dr.Beat 30 da Boss e o Tempo, para iPhone. Ambos são bem parecidos, mas o último tem meia dúzia de funções a mais que o primeiro.

1 – Só uso metrônomo em coisas devidamente lidas e aprendidas. Não uso em material inédito, exceto em alguns exercícios de ritmo bastante específicos. Prefiro começar devagar, ler com calma, entender a  toda e só depois pegar o metrônomo.

Quase sempre vai ter uma passagem ou duas que demora mais tempo para tocar com desenvoltura e sem erros. Como ela não vai sair certinha logo de cara, nem faz sentido perder tempo forçando a barra para encaixar a música no metrônomo.

1 – Sempre marco a figura que é mais comum na peça ou no trecho que eu vou estudar. Se é pra estudar colcheias, programo o metrônomo para marcar a divisão de colcheias. Se a figura predominante for a de semicolcheias, ajusto para semicolcheias, e por aí vai.

Isso faz muita diferença no tempo das notas, principalmente em musicas mais lentas ou menos marcadas. Também costumo fazer isso para estudar quiálteras com mais precisão.

2 – Começo sempre em torno de 40 a 60 batidas por minuto, só pra aquecer os dedos e a mente. Se estiver sonolento ou cansado, começo em torno de 70, justamente para acordar.

4 – Subo progressivamente até chegar a uns 100 ou 120, e fico por aí para ganhar resistencia. Se der, tento passar de 140.

5 – Se estiver muito fácil e o exercício permitir, eu dobro o tempo.

6 – Volto para a casa dos 60-70 bpm, fico um tempo, e vou descendo progressivamente até 20 e 30, para treinar em andamentos lentos.

Tocar em andamentos lentos é mais difícil que em andamentos rápidos, por dois motivos:

  • Primeiro porque cansa mais manter os músculos minimamente tensionados para tocar tudo no tempo, sem perder o relaxamento. É bem mais fácil relaxar em andamentos rápidos.
  • Segundo porque requer um dominio maior do tempo. Tendemos a ficar ansiosos e articular notas antes da hora ou relaxados demais e atrasar as articulações.

7 – Repito fazendo variações e mexendo onde eu to vendo que tá dando mais problema. Se tá dificil tocar rápido, estudo um pouco mais nos andamentos mais acelerados. Se o problema está nos trechos lentos, fico mais tempo nesse andamento.

8 – De tempos em tempos eu estudo sem metrônomo, para praticar independencia, desapego e para ver como as coisas soam sem o clique. Quase sempre, tudo soa ligeiramente mais limpo e cheio, mas o andamento quase sempre cai um pouco.

A gente sempre volta ao metrônomo, mas o objetivo final é o seu não-uso. A idéia é que a gente possa se livrar dele numa boa na hora de tocar de verdade.

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