O Silêncio não existe

por Rafa

Eu pensava buscar silêncio, só para descobrir mais uma vez que o silêncio não existe.”

[…] Mas eu escuto o silêncio da árvore e, ao deitar à noite para dormir, sei que a vida do mato é mais barulhenta que a minha esquina em São Paulo. Eu abro os olhos no escuro e há vaga-lumes no quarto. Eu tentando dormir e aqueles moços (ou seriam as moças?) acendendo o traseiro para atrair companhia. “Eu estou aqui!”, aviso, na tentativa de despertar alguma compostura, mas estão acesos. Me ignoram e continuam piscando sobre a minha cabeça: sexo, sexo, sexo. Bem perto, eu tenho certeza, alguma aranha tece a sua teia à espera de presas que serão devoradas lentamente. E logo ali uma fêmea de louva-a-deus pode estar mastigando o pai dos seus filhos e pensando, como no livro de Alessandro Boffa: “Hum… crocante, com fibras”. A sinfonia da natureza de que nos falam os poetas é uma orgia. Às vezes sangrenta.

Texto lindo da Eliane Brum que saiu ontem no site da Época.

Se o silêncio não existe, o que é essa coisa que chamamos de silêncio? Por que investimos tanto tempo buscando algo que não existe?

Se sabemos que não existe, por que insistimos nessa busca? Será que o silêncio existe e nós e que entendemos tudo errado?

Por que insistimos em fazer perguntas?

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