Guitarrismos

Mês: janeiro, 2013

Da função social da música: brilho nos olhos

Benjamin Zander é um maestro apaixonado por música clássica (ou erudita, se assim você preferir). Ele entende do assunto como poucos e é dono de um carisma incrível.

Foi o maestro titular e diretor da orquestra jovem da Filarmônica de Boston e do conservatório de New England. Ele também arranja, compõe, toca cello e piano. Mas o forte do seu trabalho é a educação musical infantil e juvenil.

Em 2010 ele deu uma palestra no TED. Aparentemente, era sobre música erudita, mas o argumento dele se aplica a quase qualquer música que não esteja muito em voga.

Na real, era sobre um monte de outras coisas muito mais importantes. É uma fala incrível em tantos níveis que eu nem sem por onde começar.

If the eyes are shinning, you know you are doin it. If the eyes are not shinning, you’ve got to ask a question. And this is the question: who am I being?

You know, I have a definition of sucess. For me its very simple. It’s not about wealth, fame and power, but how many shinning eyes I have around me.

“Se os olhos brilharem, você está fazendo a coisa certa. Se os olhos não estão brilhando, você precisa se fazer uma pergunta. E essa pergunta é: quem eu estou sendo?

Sabe, eu tenho uma definição de sucesso. Para mim, é muito simples. Não se trata de riqueza, fama e poder, mas quantos olhos brilhantes eu tenho ao meu redor”.

É isso.

Cada vez menos eu vejo a música como um fim em si mesmo (alias, de forma geral, eu vejo cada vez menos as coisas com finalidades nelas próprias, mas isso é um outro assunto).

Pra mim, cada vez mais, música é sempre algo mais. Sempre há uma relação com algo não musical, que é o que lhe dá sentido.

A gente ouve essa ou aquela canção para entrar ou sair de um determinado estado de espírito. Ficamos felizez por algum motivo qualquer e na mesma hora botamos uma música que gostamos para servir de trilha sonora. Fazemos a mesma coisa quando estamos infelizes, por conta de problemas em nossos relacionamentos ou porque tivemos um dia ruim. E trocamos rapidinho de faixa se ela não for apropriada ao espírito do momento.

Quando a energia precisa subir, como quando fazemos exercícios, colocamos uma música que nos deixe mais dispostos. Se queremos relaxar e parar um pouco, ficamos em silêncio ou colocamos uma música que nos desacelere.

Fazemos isso o tempo todo em nossas vidas, mudando a música de acordo com o momento.

Um bom exemplo é uma festa de casamento. Um evento que começa com peças clássicas tocadas num quarteto de cordas durante um cerimonial religioso vai terminar ao som de pessoas felizes, bebendo e dançando ao som de temas dançantes.

Nesses momentos, o que está em jogo é sempre outra coisa.

Obviamente, nem sempre fazemos um bom jogo. Com a intenção de manipular e controlar o mundo à nossa volta, acabamos usando a música mais como arma do que como ferramenta, sem pensar muito no resultado do uso dessa força tão poderosa. Muitas vezes somos irresponsáveis, produzindo benefício à custa de prejuízo para outras pessoas.

Quando o maestro fala de brilho nos olhos, ele nos lembra do que realmente importa, e que a música tá aí para nos ajudar a viver uma vida mais memorável.

Aprendendo a ouvir. Com uma professora surda.

Aos oito anos, Evelyn Glennie começou a sofrer uma perda severa de audição. Aos 12 estava surda.

Ela estudava percussão na época. Decidiu não abandonar a música.

Aos 19, se graduou pela Royal Academy of Music de Londres. Desde então, nunca mais parou de tocar.

Hoje Evelyn Glennie é uma uber percussionista virtuosa, professora e compositora, dona de um currículo invejável. E a primeira percussionista da história solista em tempo integral.

Ja tocou com Nana Vasconcelos, Kodo, Bela Fleck, Bjork, Bobby McFerrin, Sting, Emmanuel Ax, Kings Singers, Mormon Tabernacle Choir, Fred Frith e a Orquestra Tradicional de Taipei.

Surda. E nos ensina a ouvir. Porque ela sabe, e nós não.

Fato: a gente ouve mal pra cacete. Como se não bastasse toda a poluição sonora que produzimos e o nosso vício em perceber somente o que queremos e não as coisas como são, tendemos a superdimensionar a escuta por meio dos ouvidos.

Foi preciso alguém perder essa capacidade para (re)descobrir outra. Apurar o tato ao ponto de sentir o som na própria carne. Ouvir com o corpo todo ao invés de usar só uma pequena parte especializada. Melhor usar do que desperdiçar.

Micro aula em seis minutos

Recebi outro dia pelo Facebook: a história da música ilustrada em seis minutinhos. Para ver e , especialmente, ouvir.

Metrônomo for dummies

Aqui vão algumas dicas de como eu uso o metrônomo. Não é a verdade absoluta e nem estou cagando regra sobre como vocês devem utilizar essa ferramenta. É só um relato do que tem funcionado comigo e que eu imagino que possa ser útil pra vocês.

Tenho usado o Dr.Beat 30 da Boss e o Tempo, para iPhone. Ambos são bem parecidos, mas o último tem meia dúzia de funções a mais que o primeiro.

1 – Só uso metrônomo em coisas devidamente lidas e aprendidas. Não uso em material inédito, exceto em alguns exercícios de ritmo bastante específicos. Prefiro começar devagar, ler com calma, entender a  toda e só depois pegar o metrônomo.

Quase sempre vai ter uma passagem ou duas que demora mais tempo para tocar com desenvoltura e sem erros. Como ela não vai sair certinha logo de cara, nem faz sentido perder tempo forçando a barra para encaixar a música no metrônomo.

1 – Sempre marco a figura que é mais comum na peça ou no trecho que eu vou estudar. Se é pra estudar colcheias, programo o metrônomo para marcar a divisão de colcheias. Se a figura predominante for a de semicolcheias, ajusto para semicolcheias, e por aí vai.

Isso faz muita diferença no tempo das notas, principalmente em musicas mais lentas ou menos marcadas. Também costumo fazer isso para estudar quiálteras com mais precisão.

2 – Começo sempre em torno de 40 a 60 batidas por minuto, só pra aquecer os dedos e a mente. Se estiver sonolento ou cansado, começo em torno de 70, justamente para acordar.

4 – Subo progressivamente até chegar a uns 100 ou 120, e fico por aí para ganhar resistencia. Se der, tento passar de 140.

5 – Se estiver muito fácil e o exercício permitir, eu dobro o tempo.

6 – Volto para a casa dos 60-70 bpm, fico um tempo, e vou descendo progressivamente até 20 e 30, para treinar em andamentos lentos.

Tocar em andamentos lentos é mais difícil que em andamentos rápidos, por dois motivos:

  • Primeiro porque cansa mais manter os músculos minimamente tensionados para tocar tudo no tempo, sem perder o relaxamento. É bem mais fácil relaxar em andamentos rápidos.
  • Segundo porque requer um dominio maior do tempo. Tendemos a ficar ansiosos e articular notas antes da hora ou relaxados demais e atrasar as articulações.

7 – Repito fazendo variações e mexendo onde eu to vendo que tá dando mais problema. Se tá dificil tocar rápido, estudo um pouco mais nos andamentos mais acelerados. Se o problema está nos trechos lentos, fico mais tempo nesse andamento.

8 – De tempos em tempos eu estudo sem metrônomo, para praticar independencia, desapego e para ver como as coisas soam sem o clique. Quase sempre, tudo soa ligeiramente mais limpo e cheio, mas o andamento quase sempre cai um pouco.

A gente sempre volta ao metrônomo, mas o objetivo final é o seu não-uso. A idéia é que a gente possa se livrar dele numa boa na hora de tocar de verdade.

Como trocar cordas, regular e afinar uma guitarra com ponte Floyd Rose

Guitarras com Floyd Rose andam meio fora de moda. Acho que só os metaleiros ou fãs de hard rock ao estilo do Vai e do Satriani curtem esse tipo de instrumento hoje em dia.

Fender Strato com Floyd Rose

Para quem não sabe: ta vendo a ponte onde as cordas ficam presas? Isso é uma Floyd Rose

Essa ponte é ao mesmo tempo o paraíso e o inferno. Paraíso porque ela permite subir ou descer as notas bem  mais do que as alavancas comuns permitem, sem perdas de afinação. E inferno porque não é fácil trocar as cordas, regular e afinar uma guitarra com esse tipo de ponte. Dá trabalho e precisa ter a manha de como fazer. Tenho certeza que boa parte da perda de popularidade desse sistema se deve justamente ao trabalho que ele dá.

Para facilitar a sua vida, caro guitarreiro fã de Floyd Rose, segue abaixo tres vídeos (em inglês) explicando como trocar cordas, regular e afinar uma guitarra com Floyd Rose.

Como trocar as cordas:

Como regular a altura da ponte:

Como afinar:

Que a sua guitarra seja fonte de alegria, e não de sofrimento. =)

Da difícil arte de encarar as críticas

Ao longo da nossa caminhada, é inevitável que em algum momento sejamos alvo de críticas. Às vezes elas são contundentes, às vezes são brandas e sutis. Às vezes são feitas com a melhor das intenções e em outras são feitas de má fé, unicamente para nos atingir.

Alguém – nós mesmos, inclusive, já que autocrítica também conta – vai olhar para o nosso trabalho e dizer meia dúzia de coisas sobre ele que, provavelmente, não vão nos deixará felizes.

Ou deixará?

Saber lidar com críticas é uma arte dentro da arte. Talvez seja o meio mais comum e imediato de se extrair informações pertinentes sobre o que diabos estamos fazendo e sobre o que podemos fazer para melhorar.

Ignorar críticas costuma ser um sinal de imaturidade, de alguém que está mais preocupado com a proteção do próprio ego do que com o nível do próprio trabalho.

Por outro lado, não podemos aceitar qualquer comentário como uma crítica válida, sob o risco de comprometer o que estamos fazendo por conta de informações imprecisas ou falsas. Principalmente quando vierem sob a forma de crítica positiva, daquelas que dá uma bela massagem no ego.

Olhos do Mestre

O PhD e guru do expertise Dr. K. Anders Ericsson nos fala que uma marca do expert é a capacidade de extrair informação útil e pertinente de qualquer feedback que receba, em qualquer situação. O chamado self-coaching, que é uma forma de prática autodidata.

Basicamente, o expert sabe cavar uma boa crítica no amontoado de informações que ele recebe o tempo todo de todo mundo. Com o olhar treinado, ele é capaz de extrair da opinião leiga uma opinião especializada, pois percebe pequenos pedaços de informação útil num discurso pouco especializado e, a partir destes, consegue reconstruir informações úteis. Da mesma maneira, ele é capaz de ignorar comentarios desonestos feitos com má fé ou críticas que não digam muita coisa, mesmo que ela venha de seus pares igualmente competentes.

Seu olhar perspicaz foi moldado junto com a sua experiencia de trabalho, e é capaz de separar informação do ruído em qualquer circunstancia.

O expert também é emocionalmente seguro. Sua maturidade faz com que ele não se deixe alterar por elogios ou comentários maldosos. Uma habilidade bastante útil, pois além de permitir um olhar mais preciso, é fonte inigualável de paz de espírito.

Ok. Estou longe de ser um mestre. Como proceder?

É difícil extrair informações objetivas pertinentes quando nos deixamos levar pela crítica. Por isso é importante ter algum grau de blindagem e resiliencia emocional.

Em primeiro lugar, é preciso aprender a não colocar o controle remoto dos próprios nervos nas mãos dos outros.

Esta parte é a mais importante do processo. Sem paz de espírito é impossível receber um feedback limpo, pois estaremos ocupado demais massageando ou lambendo as feridas do ego. E o ego importa bem menos que o trabalho.

É preciso se acostumar com a prática de dar a cara à tapa. Fato: críticas vão surgir eventualmente (o tempo todo se for na internet). O seu trabalho vai ser avaliado sob mil critérios diferentes. E o pressuposto básico de qualquer avaliação é que seja feita segundo critérios que raramente escolhemos ou concordamos. Não é fácil, mas ninguém disse que seria fácil.

Em segundo lugar, é preciso entender que a relação sinal/ruído é quase sempre baixa.

Para cada pequeno pedaço de informação relevante temos um monte de ruído: palavras e visões desnecessárias, confusões, flutuações do humor do interlocutor no dia, seus interesses pessoais ao emitir uma avaliação (sim, elogios e críticas são usados como moeda de troca), massagens pro ego, agressões, inveja, admiração e mais um monte de opiniões malucas sobre a mensagem que você quis passar.

Também é possível que a leitura dos outros seja equivocada ou desonesta. Isso significa um esforço extra para tirar informação útil do feedback alheio. Nem sempre as pessoas sabem ou se dão ao trabalho de fazer uma crítica limpa e honesta.

Em terceiro lugar, precisamos colocar o ego no seu devido lugar, para não corrompermos as lentes que usamos para ver as coisas. Se o ruído já começa na leitura que fazemos, a gente fatalmente acaba entendendo o que queremos entender, independentemente do que esteja diante de nós. Acabamos fazendo com o comentario alheio exatamente aquilo que não queríamos que fizessem com o nosso trabalho.

Por último, mas não menos importante (dica do mestre Kenny Werner), precisamos aprender a desatrelar nosso valor enquanto ser humano do trabalho que produzimos, em algum nível, justamente para que não fiquemos mal quando o resultado for aquém das expectativas. Esta prática de desapego é bastante saudável, por nos lembrar que aquilo que fazemos não nos limita e nem nos define por completo. Não precisamos nos martirizar sempre que ficarmos insatisfeitos com nosso próprio desempenho. Alias, essa a sensação de insatisfação é bastante recorrente. Quanto menos pudermos ficar à mercê dela, melhor. Entretanto, isso não significa fazer corpo mole e ser auto indulgente.

Basicamente, colocar o ego no seu lugar e aceitar que nem sempre o trabalho vai sair do jeito que esperamos, e seguir aguentando as porradas.. Não podemos controlar reações alheias ao que produzimos. É difícil, mas ao menos essa parte depende mais de nós do que dos outros.

Treinando o olhar

A segunda parte vai dar mais ou menos trabalho que a primeira, dependendo do grau de resiliência e amadurecimento emocional de quem a pratica.

Primeiro, subir nos ombros de gigantes.

Estudar com calma a vida e a obra dos que vieram antes de nós, para que possamos ampliar nosso leque de referenciais e entender os contextos nos quais foram produzidas. Por tabela, vamos depurando nossos gostos, além de dar chance à sorte de nos permitir topar com alguma coisa que mude nossas vidas.

Pode parecer um conselho barato sobre esta etapa, mas ela é especialmente importante. Justamente porque é etapa que requer mais tempo de foco e esforço deliberado. Dominar bons referenciais não acontece do dia para a noite. É uma tarefa de monge, que não nos sujeita a emoções fortes, como nos momentos em que estamos nos blindando contra criticas. É justamente onde o treino costuma ficar maçante.

Segundo, praticar regularmente com calma e presença de espírito, prestando atenção ao que está sendo feito e confrontando tudo com os referenciais que temos. Aos poucos, vamos disciplinando o olhar junto com todo o resto.

Por último, e não menos importante, agir um pouco como os principiantes, que estão sempre curiosos e atentos a tudo que acontece. Dependendo da situação, precisamos esquecer de tudo que já sabemos e recomeçar da estaca zero, porque as nossas visões de antes (construídas sobre críticas totalmente válidas em outros momentos) já não nos servem mais. Se não temos abertura nesses momentos, já era.

Textos de referência:

The Making of an Expert - K. Anders Ericsson, Michael J. Prietula, and Edward T. Cokely
Effortless Mastery - Kenny Werner

The doctor is in

Eu acordei esta manhã ouvindo o disco da banda de blues do sr. Hugh Laurie, o “Let Them Talk”. Segue abaixo algumas considerações.

1 – Como se não bastasse o talento como ator e a cacetada de prêmios que já ganhou, Hugh Laurie é também um puta cantor, pianista e violonista.

2 – A banda dele é surreal. É mais uma dessas gigs malucas de tão boas. Me lembra um pouco a gig da Nina Simone, no quesito qualidade.

3 – Ele tem um sotaque britânico bastante forte. Mas quando ele canta o blues, o desgraçado parece um caipira do delta do mississipi.

4 – Além de gravar um disco, ele também escreveu um livro: The Gun Seller, que ainda não tive a oportunidade de ler. Mas confesso que estou curioso. Até agora só tenho adjetivos bons para qualificar seu trabalho, então imagino que o livro seja igualmente bom.

Se algum dos meus cinco leitores já leu, por favor me diga se vale a pena a leitura 😉

6 – O blues é forte no disco, mas tem um bastante ragtime e um pouquinho de bluegrass na mistura. Se você espremer o álbum, sai o som do sul dos Estados Unidos da América.

7 – Não sei onde ele gravou o disco, mas é uma das coisas mais bem gravadas que eu ouvi nos ultimos tempos. Tudo, absolutamente tudo soa muito bem equilibrado, sem sobrar nem faltar nada de nenhum instrumento

8 – Por falar em instrumentos: é um disco de blues inspirado num som mais antigo, com arranjos mais modernosos muito bem escritos. Mas não espere ouvir guitarras carregadas de distorção. A onda do disco é outra.

Let them Talk

Conta no Twitter e página do Facebook devidamente criadas

Acabei de criar a conta de twitter do blog: @guitarrismos

E acabei de criar também a página do Facebook do blog: https://www.facebook.com/Guitarrismos

O próximo passo óbvio é a conta do YouTube, mas essa vai demorar um pouco =)

Sobre colcheias e semicolcheias pontuadas

Taí. Não sei como os eruditos fazem com as articulações. Talvez toquem as colheias de forma mais exata e metronomica. Mas na música popular e na musica pop (tenho que falar sobre isso um dia) é assim mesmo que toca, de forma mais fluida, variando com o estilo, cultura local, época, etc.


Alias, o linguazinha pra ter nomes tão esquisitos pras figuras de ritmo. Bem que podia ser fácil como no inglês, onde a nota inteira é chamada de inteira (whole note), a nota que vale metade do compasso é chamada de meia (half), a de um quarto de um quarto (quarter) e por aí vai.

Porque educação musical é importante

We can easily see how prevalent music is in all our lives, from Ipods to ring-tones to radio to concerts.

Still, one aspect of music has been removed from the equation little by little to the detriment of our society.

The wall between creators and consumers has been built thick and tall over the past 20 years. Tape recorders of the 1970′s used to record, not just play.

Computers give some ability to record one’s musical ideas but the molds they force us into make us think in codified ways.
 Music is not a product but a shared art.

Our society will benefit if children are taught that they can create something, not just consume something.

Writing music should be fostered and encouraged in the schools.

É fácil ver o quão predominante a música é em toda a nossa vida, dos Ipods aos rigntones, do rádios aos concertos.

Ainda assim, um aspecto da música vem sendo removido da equação aos poucos, em detrimento da nossa sociedade.

A barreira entre criadores e consumidores ficou maior ao longo desses últimos vinte anos.  Gravadores de fita da década de setenta apenas gravavam, mas não tocavam.

Computadores nos permitem gravar ideias musicais, mas os moldes aos quais somos submetidos nos faz pensar de formas engessadas.

Música não é um produto, mas uma arte compartilhada

Nossa sociedade se beneficará se crianças forem ensinadas que podem criar, e não apenas consumir.

Escrever música deveria ser desenvolvida e encorajada em escolas

Esse texto é do Philip Lasser. Ele é pianista, compositor contamporâneo respeitado e professor da Juilliard School of Music. Uma das bandeiras que ele defende é da educação musical de crianças, como parte do currículo regular.

Por uma série de motivos que não cabe explicar agora, nossa sociedade se polarizou em dois grandes grupos: pessoas que produzem música e pessoas que consomem musica. Normalmente, quem faz parte de um dos grupos está automaticamente excluído do outro. Obviamente existem exceções, mas eu acredito que exceções só existem para confirmar regras.

Essa é mais uma falsa dicotomia, na minha humilde opinião: de que existem músicos e não músicos. Um grupo que sabe fazer e outro que não sabe.

Bullshit.

Todo mundo tem uma capacidade de fruição e entendimento da música. É por isso que regimos a ela – aliás, é por isso que, para começo de conversa, chamamos de música uma série de determinados sons arrumados arbitrariamente, enquanto que não dizemos o mesmo de outros sons. Música é, antes de tudo, intenção.

Se você bate o pé ao som de uma música, você é músico. Se você dança, além de dançarino, é músico também (talvez todo dançarino seja músico, embora a recíproca não seja verdadeira). Se você coloca a música para tocar em loop eterno que nem um junkie atrás da proxima dose, você também é músico. E se você desliga o aparelho de som porque não aguenta ouvir certas coisas, você é músico também, porque até para odiar precisamos ser sensibilizados e ter capacidade de discriminação.

Todo mundo é musico.

Em parte, a crença nessa separação falsa se dá, dentre outros motivos, porque recebemos uma educação musical péssima. Isso quando recebemos. Aulas de música são tidas como luxo superfluo. Pouquíssimas pessoas tem a oportunidade de vivenciar uma educação musical em algum nível.

Pergunte pros seus amigos quais deles já fizeram uma aulinha de violão que seja, e te garanto que não serão muitos a levantar as mãos. A maioria nunca fez aula de nada nem na época da escola.

É triste, mas muita gente vive e morre sem experimentar isso. No entanto, todo mundo ama música.

É sobre isso que Philip Lasser nos chama a atenção. Em parte, ouvimos de forma passiva tudo que é empurrado para nós porque não entendemos bulhufas do que está sendo tocado. Não que o que seja feito hoje seja intrinsecamente ruim (e não é), mas é perigoso ouvir sem atenção, sem desconfiarmos do que esta sendo tocado para nós.

Veja o que acontece quando somos roubados do refinamento de nossa sensibilidade musical:

Joshua Bell, violinista aclamado e vencedor do Grammy, se dispos a participar de um experimento e a tocar por uma hora no metrô de NY para quem quisesse ouvir, de graça. Levou seu violino de concerto – avaliado em torno de 3.5 milhões de dólares – e tocou várias peças difíceis. Chamou a atenção de meia dúzia de pessoas, somente. O mais provável e que tenha sido tomado por um músico de rua.

Algumas semanas depois, tocou em Londres e Boston em dois concertos lotados, com o valor medio do ingresso de cem dólares. Parece que só nos ligamos do valor da arte quando alguém a coloca numa sala de concerto, quando alguém aponta e nos diz “olha, tá vendo? Isso que é música”

Somos todos músicos, mas não fazemos ideia do que se passa diante de nós.