Foco, esse recurso escasso

por Rafa

Sempre que estudamos ou praticamos algo, há um esforço do corpo e da mente. Músculos e neurônios são solicitados enquanto fazemos algo, num trabalho que cansa e fortalece as partes envolvidas.

Treino consome energia e recursos do corpo. Queimamos calorias (o que é bom) perdemos água e sais minerais no processo (o que não é tão bom, mas é inevitável). Desgastamos fibras musculares ao movimentar partes do corpo, e utilizamos neurotransmissores para que o processo de aprendizado aconteça. E eu nem vou mencionar desgastes emocionais relacionados ao treinamento e à aquisição de habilidades.

O fato é que estudar cansa, e precisamos parar em algum momento. Independentemente do resultado de uma sessão de estudo – seja porque superamos nossas expectativas, seja porque nos frustramos por algo – numa bela hora a gente precisa dar um tempo, sob o risco de perder tempo num esforço que não dará resultado algum, ou que pode causar alguma lesão.

O fato é que a nossa capacidade de foco no estudo é limitada. Quando acaba, acaba. Temos que tirar o máximo de proveito possível do pouco tempo que temos durante nossas sessões até atingir o nosso limite.

Mas, qual limite? Quanto tempo?

A grosso modo, um ser humano tem uma capacidade média de foco de um ser humano adulto é de vinte minutos, para atividades genéricas.

Repito: este é o tempo de foco médio para uma atividade arbitrária qualquer. É um valor arbitrário e debatido por especialistas. Na prática, isso varia de pessoa pra pessoa, em função de uma série de fatores. E só dá pra descobrir testando na própria carne

Digamos que você quer aprender sobre um tema específico, e comece a ler textos online sobre ele. Segundo este cálculo, os vinte primeiros minutos de leitura seriam incrivelmente produtivos, e nesse intervalo de tempo seria possível aprender bastante coisa. Passados os vinte minutos, o foco começa a decair, até o ponto em que a leitura  não fará efeito algum. É necessário um intervalo de tempo de descanso para retomar a leitura numa outra sessão de vinte minutos, para que o aprendizado de longo prazo aconteça. Nesse cenário, faz mais sentido parar o estudo e fazer outra coisa a dar murro em ponta de faca.

Agora os meus dois cents de sabedoria, fruto de um achismo meu sem qualquer estudo ou experimento: pessoas com familiaridade com a prática tem o dobro ou o triplo do tempo de capacidade de foco. Quem pratica algo familiar, aguenta entre quarenta minutos e uma hora de foco deliberado.

Nossa capacidade de foco é limitada, mas é possível expandi-la, seja para aumentar a quantidade de horas de prática ou, se não for possível aumentar esse número, fazer com que o pouco tempo que temos renda mais. É perfeitamente possível ganhar fôlego e criar resistencia.

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