Guitarrismos

Mês: dezembro, 2012

Foco, esse recurso escasso

Sempre que estudamos ou praticamos algo, há um esforço do corpo e da mente. Músculos e neurônios são solicitados enquanto fazemos algo, num trabalho que cansa e fortalece as partes envolvidas.

Treino consome energia e recursos do corpo. Queimamos calorias (o que é bom) perdemos água e sais minerais no processo (o que não é tão bom, mas é inevitável). Desgastamos fibras musculares ao movimentar partes do corpo, e utilizamos neurotransmissores para que o processo de aprendizado aconteça. E eu nem vou mencionar desgastes emocionais relacionados ao treinamento e à aquisição de habilidades.

O fato é que estudar cansa, e precisamos parar em algum momento. Independentemente do resultado de uma sessão de estudo – seja porque superamos nossas expectativas, seja porque nos frustramos por algo – numa bela hora a gente precisa dar um tempo, sob o risco de perder tempo num esforço que não dará resultado algum, ou que pode causar alguma lesão.

O fato é que a nossa capacidade de foco no estudo é limitada. Quando acaba, acaba. Temos que tirar o máximo de proveito possível do pouco tempo que temos durante nossas sessões até atingir o nosso limite.

Mas, qual limite? Quanto tempo?

A grosso modo, um ser humano tem uma capacidade média de foco de um ser humano adulto é de vinte minutos, para atividades genéricas.

Repito: este é o tempo de foco médio para uma atividade arbitrária qualquer. É um valor arbitrário e debatido por especialistas. Na prática, isso varia de pessoa pra pessoa, em função de uma série de fatores. E só dá pra descobrir testando na própria carne

Digamos que você quer aprender sobre um tema específico, e comece a ler textos online sobre ele. Segundo este cálculo, os vinte primeiros minutos de leitura seriam incrivelmente produtivos, e nesse intervalo de tempo seria possível aprender bastante coisa. Passados os vinte minutos, o foco começa a decair, até o ponto em que a leitura  não fará efeito algum. É necessário um intervalo de tempo de descanso para retomar a leitura numa outra sessão de vinte minutos, para que o aprendizado de longo prazo aconteça. Nesse cenário, faz mais sentido parar o estudo e fazer outra coisa a dar murro em ponta de faca.

Agora os meus dois cents de sabedoria, fruto de um achismo meu sem qualquer estudo ou experimento: pessoas com familiaridade com a prática tem o dobro ou o triplo do tempo de capacidade de foco. Quem pratica algo familiar, aguenta entre quarenta minutos e uma hora de foco deliberado.

Nossa capacidade de foco é limitada, mas é possível expandi-la, seja para aumentar a quantidade de horas de prática ou, se não for possível aumentar esse número, fazer com que o pouco tempo que temos renda mais. É perfeitamente possível ganhar fôlego e criar resistencia.

Sobre metrônomos e aplicativos

Hoje o meu metrônomo resolveu dar pau. Parava do nada no meio das músicas.

Podia ser um defeito, mas o meu metrônomo é um Dr. Beat da Boss e é difícil algo da Boss dar defeito. O mais provável é que seja bateria fraca.

O metrônomo usa uma dessas baterias CR 2032 de placa de PC. Só que, a essa altura do calendário, nem fodendo que eu consigo comprar uma nova antes de quarta-feira.

Solução: appstore.

Uma pesquisa rápida e descobri que o Tempo é um puta aplicativo baratinho e que se parece bastante com o Dr. Beat que eu tenho.

De fato, há males que vem para bem.

Da função do método

Tenho estudado guitarra por método com regularidade há mais ou menos um mês, coisa que eu nunca fiz antes.

Uma massa de conhecimento compilado e arrumado segundo uma curva de aprendizagem, para fazer o aluno passar do mais fácil pro mais difícil gradualmente, tentando minimizar os danos e os traumas eventuais do processo de aprendizado. Coisa rara de se ver, já que boa parte dos métodos de musica publicados no Brasil não obedecem a curva. Uma tristeza.

O que não está no método eu complemento com outras leituras, exercícios, músicas de verdade e trocando figurinha com meus companheiros de sina (sim, tô sem banda ainda =/)

Método que eu to usando. A capa parece de livro pra ensinar criança de 3 anos a contar. Mas não se engane: o livro é ótimo.

A capa parece de livro pra ensinar criança de 3 anos a contar, mas não se engane: o livro é ótimo.

Um método de instrumento nunca é perfeito.

Nada nunca vai te ensinar tudo e te transformar num músico fodão por si só, num passe de mágica. Sempre vai faltar alguma coisinha, algum detalhe (se o que estiver faltando for essencial, talvez seja preciso trocar de método).

Tem muita coisa que os livros não ensinam. Mas até pra sacar essas manhas o livro ajuda. Algum referencial é melhor do que nenhum referencial.

Sempre vai dar pra ir além e adaptar uma coisa ou outra adequada às necessidades do instrumentista. E isso é ótimo. Não é o método que é incompleto: na verdade, ele é uma obra em aberto.

Se não fosse assim, seria moleza. Bastaria que todo mundo lesse determinado manual e pronto: temos uma nova geração de músicos geniais. Infelizmente, a realidade não é tão simples assim.

Mas, para mim, o maior mérito não é me ensinar, e sim servir de pretexto para praticar regularmente, nem que seja por uma horinha. Todo dia eu vou lá e pego uma lição nova ou refaço uma antiga com mais calma.

Esse é o grande barato de seguir a curva de aprendizado: transformar o método de estudo num grande motivador. E o tempo de estudo passa rápido, sem a gente nem perceber.

A única coisa para a qual um método não serve é para substituir um bom professor. Os ruins pode substituir sem problema 😛